Mata Atlântica: muito mais perto de nós do que imaginamos
Quando pensamos em grandes florestas brasileiras, a Amazônia costuma ser a primeira que vem à cabeça. Mas existe outro bioma que faz parte do nosso dia a dia e que, muitas vezes, passa despercebido: a Mata Atlântica.
Quem mora em Nova Friburgo está cercado por ela. As montanhas, as cachoeiras, as trilhas e boa parte da paisagem que tanto admiramos existem graças a esse bioma, considerado um dos mais ricos em biodiversidade do planeta.
A Mata Atlântica abriga milhares de plantas e animais. É o lar do muriqui, o maior primata das Américas, da onça-pintada, de diferentes espécies de tucanos, beija-flores, preguiças, além de uma enorme variedade de árvores, bromélias e orquídeas. Muitas dessas espécies são encontradas exclusivamente nesse bioma, o que torna sua conservação ainda mais importante.
Além da beleza, a Mata Atlântica presta serviços essenciais para todos nós. Ela protege nascentes, contribui para a produção de água, ajuda a regular o clima, reduz o risco de erosões e deslizamentos e mantém o equilíbrio dos ecossistemas. Apesar de toda essa importância, hoje restam apenas pequenos fragmentos da floresta original, resultado de séculos de desmatamento.
Mas como garantir que tantos animais consigam sobreviver se a floresta está dividida em vários pedaços?
É aí que entram os corredores ecológicos.
Imagine várias ilhas separadas. Se não houver uma ligação entre elas, fica muito mais difícil para os animais encontrar alimento, reproduzir-se e manter populações saudáveis. Os corredores ecológicos funcionam como verdadeiras "pontes verdes", conectando áreas de mata e permitindo que a fauna circule com segurança. Essa conexão fortalece a biodiversidade e aumenta as chances de sobrevivência de diversas espécies.
Esse tema é ainda mais especial para nós porque a Purinatu está inserida na região da APA (Área de Proteção Ambiental) de Macaé de Cima, em Nova Friburgo. É nesse cenário de Mata Atlântica que realizamos experiências que aproximam as pessoas da natureza e reforçam a importância da sua conservação. A APA protege importantes remanescentes de Mata Atlântica, além de conservar nascentes, rios e uma rica biodiversidade, mostrando que turismo e conservação podem caminhar lado a lado.
Um exemplo inspirador dessa união entre natureza e turismo é o Caminho da Mata Atlântica, uma trilha de mais de 4 mil quilômetros que percorre a Serra do Mar e parte da Serra Geral, ligando o Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul. Muito mais do que um roteiro para quem gosta de caminhar, o projeto conecta áreas protegidas, comunidades tradicionais e terras indígenas, incentivando o ecoturismo e mostrando que conhecer a natureza também é uma forma de valorizá-la e protegê-la.
Preservar a Mata Atlântica é cuidar da nossa própria casa. É garantir água de qualidade, proteger a fauna, conservar as paisagens que fazem parte da nossa identidade e deixar um legado para as próximas gerações. Afinal, conhecer a natureza é também aprender a respeitá-la. E quando valorizamos a Mata Atlântica, estamos cuidando não apenas desse bioma, mas também do nosso futuro.
Referências:
MENDES, Stella Peres et al. Caracterização da estrutura e funcionalidade florestal da APA Municipal de Macaé de Cima, Nova Friburgo (RJ). Anais do XIII Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada. Viçosa: UFV, 2009.
Caminho da Mata Atlântica. O que é o Caminho da Mata Atlântica? Disponível em: https://caminhodamataatlantica.org.br/o-que-e-o-caminho/. Acesso em: 6 jul. 2026.
Ihara Gonçalves
Ihara Gonçalves é turismóloga, pós-graduanda em Patrimônio Cultural e apaixonada por descobrir o mundo através de suas culturas, histórias e sabores. Acredita que viajar vai muito além de conhecer novos lugares: é uma forma de ampliar a visão de mundo, revisitar a si mesmo e voltar para casa diferente de quando se partiu. Afinal, toda viagem tem o poder de nos transformar de alguma maneira.